Identidade revelada?

A última edição do Grammy Awards revelou ao mundo uma grande novidade: dois homens vestidos de robôs são o mais novo fenômeno da música mundial.

Em um mundo onde a indústria fonográfica está habituada com artistas que se destacam mais por suas atitudes e aparências do que pela sua qualidade musical, imaginar que dois robôs que surgiram do “nada” roubem a cena parece um tanto curioso.

Quando digo que o Daft Punk surge do “nada” me refiro ao atual contexto e a toda trajetória do duo. Quem acompanha a carreira e conhece a história do duo sabe que eles buscam justamente fazer o contrário do que a indústria ofonográfica atual cultua: não importa o seu talento, mas sim o quanto você se esforça para se manter na mídia (eu poderia elencar uma extensa lista de exemplos, mas nem será preciso). Em mais de vinte anos de carreira e alguns singles que
foram bastante tocados (alô fãs da era One more time!), apenas nós, fãs, tínhamos grande curiosidade em saber quem estava por trás daquelas máscaras (na era Homework) e daqueles capacetes (a partir de Discovery).

Agora que eles ganharam grande visibilidade após levar as principais premiações do Grammy 2014, só se fala em Daft Punk e a imprensa em geral está alvoroçada tentando alcançar esses dois homens misteriosos. E digo mais: em um mundo onde os famosos aderiram ao instagram e estão revelando seus segredos nas redes sociais, os paparazzi praticamente estão perdendo seus empregos. Tudo o que estavam precisando era que surgisse algum famoso que priorizassem a sua privacidade ou escondesse a sua identidade. Daft Punk será um prato cheio!

Daí começamos a ler notícias sensacionalistas do tipo:

“Daft Punk desmascarados!”

Espero que seja desmascarados no sentido de “sem máscaras” e não no sentido de “verdade revelada”.

Ou:

“Daft Punk são obrigados a tirar as máscaras para poder embarcar no avião” (TMZ).

Sério mesmo que eles acham que o Thomas e o Guy-man ficam 24hs por dia com os helmets? Acordam, comem, tomam banho, namoram de capacete? Sério??? Eu até que gostaria de acreditar que eles são robôs de verdade (como grande fã, adoro imaginá-los assim), mas a realidade é que eles são homens fantasiados de robôs, humanos como nós, só que com um pouco mais de genialidade. A TMZ disse também que eles parecem ser chatos, pois não são tão bonitos/gostosos/drogados/descolados como era de se esperar.

Chegaram a dizer que não eram eles que estavam no palco recebendo os prêmios, mas teriam utilizado dublês e ficaram o tempo todo sentadinhos na platéia. Sério mesmo que acham que eles iriam desdenhar desse momento único? Eles não conhecem o Daft Punk MESMO!

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supostos Daft Punk sem os helmets na platéia do Grammy

Esses dois homens podem até lembrar o Guy-man e o Thomas, mas na verdade trata-se de Cédric Hervet e de Paul Hahn que trabalham com eles.

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O lado ruim de terem o talento reconhecido através do Grammy será a super exposição e sensacionalismo em suas figuras a partir de agora. E não vamos mais nos divertir caçando as raras imagens do duo sem as máscaras.

 

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Redatora do blog e twitter da Daft Punk Brasil e uma das administradoras da fanpage da Daft Punk Brasil.

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